Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de 2010

Ao som da harpa

Por:Bárbara Fragoso

Hoje, eu quero ver o sorriso no rosto das crianças.

Vou ver a luz da manhã, que há muito eu não via.

Não deixarei de escrever palavras soltas.

Vou observar o que muitos não conseguem ver.

Eu vou deixar o medo de ir embora.

Pegarei um trem para qualquer destino.

Vou dançar ao som da harpa e das forças.

Darei asas à imaginação e sem pretensão.

Hoje, eu vou rodopiar ao som dos bandolins.

Vou sentar e ver o sol a nascer na estrada.

Eu sei que ele vai brilhar.

Ele vai brilhar.



Le Cycle

Por:Bárbara Fragoso
Je nais au coucher du soleil

Tu augmentes de long en large
Elle s'enferme en clair de lune

Nous sommes pour tout côté
Vous nous regardez changer de couleur
Ils nous laissent mourir.


Tic tac

Por: Bárbara Fragoso

Tic tac tic tac tic tac
Aquele relógio não parava de tocar...
Achava-o tão falso.

Eu já não acreditava em contos de fadas.
Eles estão aborrotados de machismo da cultura patriarcal.

Eu já não via a sinceridade.
Vasculhei tudo e não achei-a.

Eu já não acreditava em distância.
Quantas vezes estive próxima e nem me dei conta.

Muitos me falavam das horas e dos minutos.
Mas se todas as baterias acabassem e relógios pifassem,
As pessoas poderiam concordar comigo.

O tempo não existia.
Era só um tic tac tic tac...


Sacola cheia

Por: Bárbara Fragoso

Medos. Erros.
Quedas. Tropeços.
Inferno e desleixo.
Tempestades. Trovões.
Estava muito escuro.
Peguei uma sacola bem grande e joguei tudo o que atormentava.

Novos frutos e gargalhadas.
Eu queria novas lágrimas, de pura felicidade.
Arranquei aquele nó que me impedia de respirar.
Lacei a sacola. Entreguei-a ao pássaro que pertencia ao ar.

Fechei os meus olhos. A mágica pairava.

O último dó

Por: Bárbara Fragoso

Era como se as últimas notas notas estivessem baixinhas. Era pura gritaria e desespero. O vento havia parado. Eu já não dormia. Não sorria.
Os pesadelos não cessavam. Eu acompanhava de olhos abertos. Eu já não sentia. Na minha cabeça estabelecia a escuridão. Podridão.
Eu morreria? A morte era aquilo?

Balões e cores

Por: Bárbara Fragoso

Amarela. Vermelha. Rosa. Laranja.Azul.Verde.Lilás.
Eram as cores dos balões da menina de vestido estampado.
Barulhos, buzinhas, estouro e um grito.
O estrondo era de um dos balões. O monge aproximou-se da menina e falou: "Escolha o balão mais reluzente e entregue-me o resto." Os seus olhos refletiram o de cor amarela. O velho sussurrou que vida era semelhante aos balões e retirou-se.

Mergulhos e sussurros

Por: Bárbara Fragoso

Ela aguardava significados. O dono do misterioso objeto chegou e falou: "Você é aquela, que estava à espera?". Ela fez o gesto positivo. Confessou que estava curiosa em saber o que havia dentro do baú.

Finalmente, a tampa abriu-se. Ela mergulhou nas mais profundas águas. Bebeu da magia que lá havia. Ficou rodeada de sussurros, cores e risadas. Não mais saiu.



Grito dos pássaros

Por: Bárbara Fragoso

Estrelas, pássaros, silêncio
Em mim é um tormento
Barulho sem fim, eu sem mim
A vida em constante movimento

Se o tempo fosse meu parceiro
Ele não me deixava em desespero
E espero, sigo esse critério
A ventania passará...

Na minha cabeça permanecerá
O aqui e o agora
Que os meu erros do passado fiquem lá
O meu coração não mais se abalará

Quero que você,
Que tem todas as cores da aquarela
Pintasse a trilha mais bela
Sem mais espera

Que as lindas árvores frutíferas
Fiquem no solo que pisarei
Aguardo o seu traço
E, assim, sorrirei.

Sustos e sustenidos

Por:Bárbara Fragoso

Eu estou em todos os lugares. Em todas as almas.
Nas emoções. Nos batimentos do coração.

Estou na simples respiração. Estou no ar. Relento.
Eu nunca parei, estou em todos os tempos.

Posso ser silêncio. Uma simples melodia.
Não sou só a sinfonia. Sou vários acordes.

Posso te fazer chorar. Pular de alegria.
Posso te convencer. Meu significado é infindável.

Inacreditável. Incomparável.
Estou em tudo. Basta me ouvir.
Prazer, meu nome é MÚSICA! ♪

Mais que entender

Por: Bárbara Fragoso

A foto é única. Ela é como o tempo,
em constante movimento.
Penso que compreendo...
Como sou ingênuo. Nada entendo.

Será que nada entender é o grande segredo?
Assim como o vento,
Deixo o meu olhar
Ver a luz que há por dentro.

Remoto controle

Por: Bárbara Fragoso

Carros passam. Crianças correm.
Caneta na mão e pensamento longe
Sorrisos, folhas secas, um banco de dúvidas e incertezas

Como saber o que se quer?
Ainda não sei.
Se não quero, não sei.
Sei que nada sei.

Permaneço aqui,
No banco verde.
Só como o pássaro à minha frente,
Vendo o que só eu posso ver

Até uma gota caiu de repente
E eu não caí na real
Estou...
Pelo menos, acho que estou.

Gostaria que os ventos, que agora sopram,
Levassem tudo o que agora sinto
E, assim, eu poderia reconstruir.
Tudo recomeçar!

Dizem que há o instante, o recomeço.
Mas o começo não aparece.
Penso que não vou aguentar.
Nem vou me levantar

O meu coração acelera
A minha mente fica à espera
Tem uma dor remota
Ela não me conforta, muito menos suporta

Eu finjo que levo,
Mas nem considero.
Penso que supero
E nela me espero

Ficarei por aqui,
Onde nem eu me encontro,
Onde acho que tudo é loucura.
Loucura maior é viver

Ou é permanecer sentada,
Onde o que penso me abala?
E o meu ser escarra
A minha v…

Mensagem mandada em garrafa

Por: Bárbara Fragoso

Amarello Amarello
Menino do sapato amarelo
Que contagia com o seu traço belo
Debruça no tom mais sincero

Dia e noite, vales e sons
Não só ouço a sua melodia
Pode até parecer covardia
Permaneço em sintonia

A ele pertence a aquarela
As pinceladas mais belas
Viajante de risos e passos
Empresta abrigo. Espera.

O tempo pára, os pássaros voam
Eu canto o seu canto
Avisto de longe
Menino do sapato amarelo!

A flauta dos raros

Por: Bárbara Fragoso

Andava distraída pelas ruas da cidade. Gotas d'água pingavam na minha cabeça. Eu não sabia aonde ia... Só queria andar e ouvir o barulho da chuva que me rodeava. Meu silêncio me incomodava. Fui atravessar o sinal, mas os carros não paravam. Tinham pressa. Continuei tentando passar, mas foi inútil.
Eu não estava só. A menina dos risos estava ao meu lado. Ela tinha os cabelos cacheados e um belo sorriso. Sempre demonstrava alegria e era super misteriosa. Parecia guardar em si algo não tão fácil de compreender.
Cumprimentei-a. Como de costume, ela retribuiu sorrindo. Durante a nossa conversa, notei que ela trazia consigo um instrumento. Fiquei curiosa e perguntei o que era aquilo. Era uma flauta, não comum. Explicou-me que quando as notas e o som soavam, vários sonhos apareciam. Não eram todos que conseguiam fazê-la tocar. Ela me disse que só os raros.
O tempo parecia ter parado. Ela falou de vários sonhos. Fiquei impressionada com tudo o que ouvia. Certa vez, u…

O letreiro mágico

Continuei a caminhar na chuva... Quase não havia carro nas ruas. Já era bastante tarde. Olhei para cima e vi um letreiro que brilhava.Eu não conseguia lê-lo. As letras estavam tão bagunçadas!

Devia ser só mais um daqueles anúncios comuns. Elas piscavam: "O Teatro Mágico". Imediatamente as palavras da menina dos risos vieram à minha cabeça. Só os raros e os loucos podiam participar... Como eu queria ter o sonho de uma flauta!
Qualquer pessoa que estivesse passando não repararia aquelas palavras. Logo em seguida, elas sumiram e depois voltaram a piscar desordenadamente "O Segundo Ato". Aquilo me tocou profundamente... Eu não tinha uma flauta mágica, mas conseguia ler aquelas letras. Então, eu devia ter alguma ligação com aquele Teatro Mágico.
Sinto que tudo isso veio para temperar os meus sonhos. Curou as febres. Comecei a voar como vagalumes. Agora, não estou perdida. Aos poucos, aprendo a morrer... Comecei a ser platéia de mim mesma. O Teatro Mágico de cada dia revel…