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Saia rodada e alma cantada

Por: Bárbara Fragoso

Lá era muito grande. Eu me perdia em meio aos olhares e barulhos vindos de todas as direções. Fechava os olhos e abria de uma vez para ter certeza de que, realmente, eu pisava ali. Passei por um trânsito lento. Vales e montes escuros faziam caretas. Tive que conter o medo e falar para mim mesma que estava bem.

Finalmente, consegui chegar a tempo, mas precisava ser rápida. Corri e vesti a roupa estampada. Me sentei na primeira fileira. Estávamos longe e perto. Você me viu. Enquanto me olhava, eu disfarçava. Deixei-me levar pelo seu som. A minha alma cantava.

A apresentação acabou. Subi discretamente as escadas. Tinha um moço em frente às cortinas do teatro. Ele estava pronto para me impedir de entrar. Falei o meu nome e ele ainda relutou. O seu rastro passou. Para os acordes não havia mais suspensão.

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