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Poeira cálida

Por: Bárbara Fragoso

Pessoas passavam de bicicleta. As árvores faziam tapetes frutíferos, com as folhas verdes e pálidas. Lá, do segundo andar, ela observou a praça da cidadezinha. Sobrava espaço. Na casa pequena não tinha ventilador. Ela se aquecia com o instante.

Ao anoitecer, algo prevaleceu. Voz grave e delicada misturou-se ao dedilhado do violão. O som era pura poesia. Como aquilo alvoroçava os sentidos! Balançava o mundo. Pingos brotavam nos olhos. Aquela música era cálida. E só sua.

Desceu as escadas às pressas. Sentou-se com a fogueira. Falou do seus dias e noites; das conchas e poeira que a acompanhavam. A casa estava vazia sem o balé. As estrelas já brilhavam e o céu recebia suas preces. Em poucas horas, ia amanhecer. O café seria requentado. A mágica não acabara.

Comentários

Drika Lima disse…
Maravilhosa escritora essa minha Bárbara!
Bárbara Fragoso disse…
Olha só quem está por aqui! Meninas das belas palavras!