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Mostrando postagens de Julho, 2011

Sobras

Vai. Larga de covardia. Conte-me um pouco dos teus dias. Não quero sorriso nem cais. Que caia um pouco de ti. Luz e fogueira; sombras e sobras. Muito bem. Eu queimava por dentro.Sinceridade foi o único pedido.
Eu já sabia.
Eu já sabia.

Bárbara Fragoso 

Bonne chance

Por: Bárbara Fragoso

Au revoir.
Je vais partir...
Ne demandez pas où je suis.
Soyez bien.
J'ai besoin de moi.

Tum tum tum obsoleto

Por: Bárbara Fragoso

Ela gritou, deu birra e chamou-o de bobo. Não queria visitas. Pediu que ele a obedecesse e não abrisse a porta. "Não. Eu é que mando em você. Não insista", ele disse. As palavras ecoaram nos ouvidos da menina sem manhã. Não era aquilo que ela queria ouvir. O rosto ardia. Ela queria ser mais fria. Não dava. Resistia.

"Cadê você?", seu ser gritava. Comentário infame. Afinal, ela adorava a tal liberdade que tinha. Como era bom o gostinho! Ela acordava, abraçava-a e alimentava-a de ocasiões. Achava aquilo lindo e leve, mas o pesado e obsoleto queria ser o centro das atenções. A menina detestava isso. Não queria visitas e ponto final. Ainda tinha esperanças de convencê-lo e transformá-lo em pedra. Ele franziu a testa e disse que, sem ele, ela não era nada. A garota, já cansada, pediu que ele se calasse.

Silêncio.

Tum-tum tum-tum. Ele ainda batia. Ela, abatida, desprezava-o. Tum tum tum. Batiam à porta. Plena visita inesperada? Tum-tum tum-tum. Ele não …

Lareira e feras

Por: Bárbara Fragoso

A fita rodava e rodava. Calma! Chega de pressa. Ela pegou o controle remoto e deu pause. Analisou a cena. Feras por todos os lados. Sorrisos tortos. Escondiam-se e mostravam os dentes. A saliva pingava. Estavam prontas para triturar.

Beira da morte. Ou ela dominava e amansava, ou deixava que elas a engolissem. A lareira não esquentava. Morte lenta e decisão. Embebedou-se. Copo de sabedoria. Ferviam ideias. Novo começo, mas ainda sem fim. Vazio ao seu lado.

Ela sabia por quem precisava respirar.

Âmago

Por: Bárbara Fragoso

Distante de casa e mais perto de mim.
Saudade amarga e doces lembranças restavam-me daquele céu e daquele tempo.
Noite de lua cheia e imprevistos.
Corre-corre.
Volta.
Correm rios.
Cascatas de mim.
Inquietude da alma em meu âmago habita.

Nem adeus

Por: Bárbara Fragoso

Era noite no céu de palavras. Ela brincava de pique-esconde com sua sensibilidade e tentava acender o abajour. Nada de uísque ou chá. Nem os pensamentos eram clareados. Piscava e piscava. A insônia recheava a sua alma de ansiedades que não tinham fundamento. Ela estava disposta a descer daquele barco sem direção. Cheio de tormentos e queria carregá-la com falsidades e mentiras. Ele tentou engolir o tempo e vendar seus olhos, mas não conseguiu.

Ela era pequena e grande. Mar escuro e incerto, mas não o suficiente para ofuscar completamente a visão. Nada. Ela nadou. Ficou encharcada de imbecilidades que tentavam afogá-la. Raiva e tremor. Tentava confundí-la com o canto falso que roubou da sereia. Deus, esse barco não merece nem adeus.