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Nem adeus

Por: Bárbara Fragoso

Era noite no céu de palavras. Ela brincava de pique-esconde com sua sensibilidade e tentava acender o abajour. Nada de uísque ou chá. Nem os pensamentos eram clareados. Piscava e piscava. A insônia recheava a sua alma de ansiedades que não tinham fundamento. Ela estava disposta a descer daquele barco sem direção. Cheio de tormentos e queria carregá-la com falsidades e mentiras. Ele tentou engolir o tempo e vendar seus olhos, mas não conseguiu.


Ela era pequena e grande. Mar escuro e incerto, mas não o suficiente para ofuscar completamente a visão. Nada. Ela nadou. Ficou encharcada de imbecilidades que tentavam afogá-la. Raiva e tremor. Tentava confundí-la com o canto falso que roubou da sereia. Deus, esse barco não merece nem adeus.

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