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Tum tum tum obsoleto

Por: Bárbara Fragoso

Ela gritou, deu birra e chamou-o de bobo. Não queria visitas. Pediu que ele a obedecesse e não abrisse a porta. "Não. Eu é que mando em você. Não insista", ele disse. As palavras ecoaram nos ouvidos da menina sem manhã. Não era aquilo que ela queria ouvir. O rosto ardia. Ela queria ser mais fria. Não dava. Resistia.

"Cadê você?", seu ser gritava. Comentário infame. Afinal, ela adorava a tal liberdade que tinha. Como era bom o gostinho! Ela acordava, abraçava-a e alimentava-a de ocasiões. Achava aquilo lindo e leve, mas o pesado e obsoleto queria ser o centro das atenções. A menina detestava isso. Não queria visitas e ponto final. Ainda tinha esperanças de convencê-lo e transformá-lo em pedra. Ele franziu a testa e disse que, sem ele, ela não era nada. A garota, já cansada, pediu que ele se calasse.

Silêncio.

Tum-tum tum-tum. Ele ainda batia. Ela, abatida, desprezava-o. Tum tum tum. Batiam à porta. Plena visita inesperada? Tum-tum tum-tum. Ele não silenciava. Ela fechou os olhos.
Tum-tum tum-tum. Lentamente. Tum-tum tum-tum. O coração abriu a porta.

Comentários

Biga disse…
quase chorei... tu é boa nas palavras :-)