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Tudo era nada

Gritei, mas o mundo não me ouviu. Nem sequer o meu vizinho. Um amargo café me satisfazia por um dia inteiro. As minhas pernas, que mal se seguravam em pé, tremiam mais do que no inverno. Sem cor nos olhos, transformei em tons cinza e pastel os esquadros que surgiam em minha mente e no farfalhar dos meus passos. 

As paredes do corredor branco, que davam acesso ao meu quarto, misturavam-se aos quadrados brancos do piso da casa. Tudo era branco. Confundia-me. Tudo era a mesma coisa. Tudo era nada. O que havia, já não mais via. Talvez, nunca tivesse existido. Olhos cor de folha seca secavam as mentiras que vira e cegavam, demoradamente, a falsa felicidade depositada.

Bárbara Fragoso 

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