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Mostrando postagens de Junho, 2012

Seca

Folhas de estrela secas  grudavam nas solas da cidade. Pessoas bem vestidas e sem vestidos pisavam nas folhas de estrela secas. E, não, somente nelas. Estrelas choravam com o frio de doer. Ossos se encolhiam.
Chocolates adoçavam o vento que encostava sem cautela na canela coberta. A lareira encheu a casa de fumaça. Foi uma desgraça. Escondi o meu rosto. Só achava graça!

Bárbara Fragoso 

Faíscas

Vidros embaçados. Ela e o tempo faziam questão de embaçá-lo.  Percorria com pressa. Entregava-se a cada quilômetro adiante. Águas passadas. Passos de outrem ficavam. Ousava-se dispor. Folhas secas, da cor dos seus olhos, acompanham e cercavam os pés. Descalços não estavam.
O trem logo passaria. Assim como a ventania estonteante. Enganchou os dedos dos pés calçados na linha. "Afaste-se. Você pode se machucar", disse a irmã mais velha. Acatou o apelo. Faíscas correram.

Bárbara Fragoso 

Vez ou outra

Vez ou outra, faço do meu corpo meu abrigo. Obrigo-me.
Brigo e reluto. Brinco. Perco-me. Encontro-me. Faço de mim meu esconderijo. Pique esconde.

Mesmo sem tanto pique, escondo-me nos meus armários almáticos desbotados. Uso-me de escudo. Sem escuta, na ponta dos pés. Portas se abrem. Encontro-me. Vez ou outra.

Perco-me.

Bárbara Fragoso