Pular para o conteúdo principal

Escudo

Mal consegui arrumar toda a bagunça e mais bagunça chegou. A sala está cheia de caixas. Algumas, ainda não consegui abrir. Começaram a me ligar. Até agora, o telefone não parou. Já arranquei-o da tomada e, mesmo assim, ele solta grunidos. Não param de chegar cartas na minha caixinha de correio. Desconheço os remetentes. As mensagens no celular já ultrapassaram a capacidade da memória. Memórias do passado remoto exterminadas. Campo minado. Qualquer hora, a bomba-relógio pode tocar o alarme agudo, que me deixará surda, cega e muda. Por enquanto, enquanto há tempo, digo. Na verdade, não há mais tempo. E é por essa falta de tempo que estou ficando asfixiada. Preciso de ar. Preciso dizer. E essa necessidade de dizer também me sufoca. A pressão é grande e o tempo é curto. Corto-me os pulsos. Não há escuta nas escadas. Não há escudo.

Bárbara Fragoso 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Fernando, Anitelli e seus vários personagens

Por: Bárbara Fragoso

Roupa vermelha. Sorriso estampado. Sapatos extravagantes. Rimas na ponta da língua. Barba comprida. Cara pintada. O ator, poeta, músico e compositor Fernando Anitelli é o responsável pela criação do projeto O Teatro Mágico. Com jeito brincalhão, o filho do “Seu Odácio” e da “Dona Delmina” explica que o palhaço é um dos personagens que o compõe e que representa toda a sua verdade.

Nascido em Presidente Prudente, em 1974, o cantor fala que antes de criar a trupe, cantava na banda Madalena 19. O amigo Danilo Souza, que foi o baixista da banda na época, contou dos dez anos de existência dela e das várias tentativas de gravar um CD, que não obtiveram êxito. Eles viviam um momento bem difícil, de desânimo. No entanto, resolveram ir para os Estados Unidos, com a intenção de trabalhar e definir os rumos que tomariam.

Trabalharam de garçom ilegalmente. Danilo voltou ao Brasil e Fernando ficou. E foi lá que nasceu a inspiração para a criação do projeto, com a leitura do livro …

Balões e cores

Por: Bárbara Fragoso

Amarela. Vermelha. Rosa. Laranja.Azul.Verde.Lilás.
Eram as cores dos balões da menina de vestido estampado.
Barulhos, buzinhas, estouro e um grito.
O estrondo era de um dos balões. O monge aproximou-se da menina e falou: "Escolha o balão mais reluzente e entregue-me o resto." Os seus olhos refletiram o de cor amarela. O velho sussurrou que vida era semelhante aos balões e retirou-se.