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Mostrando postagens de Dezembro, 2012

Oser

No cenário, destacavam-se o brilho nos olhos do jovem e a sede de percorrer o mundo.O velho, conhecedor das línguas e costumes, entregou-lhe em palavras um talismã: "Na sua idade, você tem que viajar, até vender a sua cueca. Você tem que viajar."
A quilômetros e fronteiras de distância, o jovem contou o que se passara à menina sem manhãs e cheia de manhas. Ao digerir a tradução do cenário, a sintonia entre personagens e pretextos, ela deixou o medo de lado e seguiu. Lá pelas curvas do caminho, a garota voltou pelo trajeto para buscá-lo, já que Deus gosta de quem tem medo. "Você precisa atrever-se... Osar", ele completou. Ela ousou dizer que o verbo era "ousar". "Ser é ousar ser". As palavras de Hesse prevaleciam nas entrelinhas.

Bárbara Fragoso

Há caso

Que a efemeridade das mais volúveis respostas sejam constantes ao acaso. O acaso traz-me aqui para vomitar. O transitório edifica e, ao mesmo tempo, destrói. E, na mutação dos fatos, desabrocho singularidades indeterminadas. Exterminadas.

Bárbara Fragoso 

Prefácio pretérito

Eu já tinha medo de começar a escrever. Eram tantos nós que dava vontade de desistir. Choros sem velas. Via-me codificada, ao desmanchar-me em letras. Sílabas de mim formaram palavras, com ou sem sentido. Eram como se fossem o meu espelho. Assusto-me sempre que me leio. Até agora, tropeço em letras, que são membros do meu corpo. Eu tinha medo de começar a escrever, mas já que havia começado, optei por deixá-lo solto nas páginas que viriam. É... O medo se desmanchou ao manchar as minhas páginas mágicas, que não eram todas minhas.

Bárbara Fragoso