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Prefácio pretérito

Eu já tinha medo de começar a escrever. Eram tantos nós que dava vontade de desistir. Choros sem velas. Via-me codificada, ao desmanchar-me em letras. Sílabas de mim formaram palavras, com ou sem sentido. Eram como se fossem o meu espelho. Assusto-me sempre que me leio. Até agora, tropeço em letras, que são membros do meu corpo. Eu tinha medo de começar a escrever, mas já que havia começado, optei por deixá-lo solto nas páginas que viriam. É... O medo se desmanchou ao manchar as minhas páginas mágicas, que não eram todas minhas.

Bárbara Fragoso 

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