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Sem métrica

O fado deselegante da menina não respirava. A alma dela era vítima de si, do ar sustenido e das cores lá de fora. Lá fora, não dava para vê-la. Lá de dentro, não dava para ver o que passara lá fora. Ela fora mergulhar-se em si, ao dedilhar notas abafadas, no quarto sem feixe de luz. Tons alternados e sem escala revelaram o que corria por dentro. Amargamente, engolia-se. Os ânimos não se acalmavam. Somente aquela música – traduzida pelo piano desafinado e ausente de alguns tons – que fugia da métrica. Fugia de si. Cantos sem encantos, que contaram as cotas, às custas de uma vida.

Bárbara Fragoso 

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