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Frio de um verão

As estações passaram. Fingiram passar. As pétalas caíram. Fingiram cair. As folhas secaram. Os olhos cor de folha seca restaram fixos e sem cor. A menina encostara-se no pequeno espaço entre a porta e a transparente estante de livros. Colocara o telefone no chão. A última ligação encerrara muda.

Sentiu-se imunda. Desconfiara de tudo o que a fazia lembrar da existência dele. Desconfiara da forma como o sorriso, quase perfeito, se desenhou. As palavras lisas e lindas foram lidas ambiguamente. O silêncio prevaleceu no frio daquele verão. 


Ela permaneceu estática, mas, agora, na calçada sem pintura. Na pressa do relógio, as pálpebras temeram descansar. Acostumara-se com a rouquidão. O silêncio era a mão amiga. Decidiu-se. Subiu montanhas e respirou outonos tentando esquecê-lo.

Tentou livrar-se do amor. Escondeu de si mesma a vontade de tê-lo consigo. Os sonhos nunca deixam de ser sonhos, se forem sonhados. "Um grande amor não é tão grande se não tiver sofrimento?", questionara-se. 


Bárbara Fragoso  

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