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Esta es la juventud del Papa!


Texto e fotos: Bárbara Fragoso 
 
Arrisco-me escrever sobre a Jornada Mundial da Juventude (JMJ). Risco tudo o que escrevi e tento começar novamente. Não é fácil colocar no papel a infinidade de sensações e experiências que eu e milhares de peregrinos do mundo inteiro vivemos. Foram dias lindos, que podem ser lidos de diversas formas. Cada um de nós tem diversas histórias para contar. E, também, não é porque o Papa não está mais no Brasil que a JMJ acabou. A Jornada é o início das constantes transformações na vida de muitos jovens, inclusive na minha. 



Segunda-feira, 22 de julho de 2013. A previsão era de que Francisco chegaria, às 17h, no centro do Rio de Janeiro. Uma mala no ombro e outra na mão. Com pressa, eu e a minha irmã Bianca descíamos a caminho do ponto de ônibus, na praia de Copacabana. O relógio marcava 15h e pouco. Os ponteiros corriam. “Moça, precisamos ir à Catedral de São Sebastião. Você sabe em qual parada devemos descer?”, perguntamos à carioca que estava sentada no fim do ônibus. Ela nos deu algumas instruções erradas. Ao descermos do coletivo, descobrimos que estávamos longe da igreja. A credencial de voluntária da minha irmã não estava mais no pescoço. Pegamos outro ônibus e caminhamos a pé. O desânimo tomara conta. A cada passo, as malas pesavam mais. 



Ao chegarmos à Catedral, nos deparamos com a multidão à espera do Papa. Não tínhamos binóculos. Vê-lo de perto era uma doce ilusão. Uma senhora bondosa carregava consigo um molho de chaves. Ela deixou-me guardar as minhas malas numa sala da igreja. O trajeto do pontífice era uma incógnita para os peregrinos. Logo, optamos ficar nos fundos da Catedral, onde estavam alguns argentinos. Nenhuma cabeça atrapalhava a minha visão e a da Bianca, atrás da pequena corrente que dava acesso à pista da igreja. Aos poucos, ergueram-se as bandeiras, de cores branca, azul e ouro. Gritos e palmas. Avistara o papamóvel. “Bárbara, você filma e eu tiro fotos, quando ele se aproximar”, disse a minha irmã. “Esta es la juventud del Papa!”, vibramos em uníssono. Apertei o REC na câmera do celular. Com brandura, ele estendeu o braço na nossa direção. Ele estava pertinho, a menos de um metro. Tinha um tambor, no lugar do coração. Lágrimas corriam pelo rosto. Ele emana amor. “Deus, a Jornada mal começou e você já nos dá tamanho presente?”, falei baixinho, no meu primeiro dia da JMJ.

Nos outros dias, eu e milhões de jovens do mundo inteiro fomos recebidos, de braços abertos, pelo Cristo Redentor. Nos trajetos, tiramos fotos e arranhamos o inglês para trocar lembrancinhas. Até hoje não sai da cabeça o gritinho dos chilenos: “Chi chi chi le le le. Viva Chile”. A diversão era garantida por onde passávamos. Pegar metrô e trem, sem que nenhum integrante do grupo sobrasse na plataforma, era quase um milagre. “Pessoal, qual é a nossa estação?”, gritava o nosso animador mór. A resposta, seguida de risadas: “Piedade. Piedade. Piedade. É nóis”, paródia de uma música conhecida de ato penitencial. Afinal, nós, do grupo da Comunidade Missionária de Emaús, de Brasília, ficamos alojados no bairro Piedade, localizado na Zona Norte. 

Fila? Em todos os cantos imagináveis e inimagináveis. A mais temida e assustadora era a do banheiro. Era melhor não beber água e morrer desidratado, do que sentir o desespero de enfrentar a gigantesca fila do sanitário químico, na praia de Copacabana; ou de implorar, humildemente, aos zeladores a liberação para utilizar o banheiro funcional, nos prédios residenciais. Alguns corajosos aproveitaram a ocasião para dar um mergulho no mar.

A história de “Rio 40 graus” não se concretizou nas caminhadas, marcadas de muita chuva e frio de doer os ossos. O consolo era que Jesus caminhava ao nosso lado. O amor se manifestava de diversas formas: no cumprimento de “bom dia”, nas saudações dos italianos, franceses, africanos, americanos, chineses, australianos, alemães e das pessoas de outros países; nos sorrisos, no aprendizado das catequeses e no olhar de gratidão; e nas cantorias nos trens, ônibus e metrôs. 

"Querem construir a Igreja? Estão animados? E amanhã vão se esquecer que disseram 'sim'? Todos somos parte da Igreja. Nos transformamos em construtores da Igreja e protagonistas da História. Sejam protagonistas, não fiquem na fila da História. Joguem sempre na linha de frente, no ataque!", destacou Papa Francisco.

Com a JMJ, temos a alforria para complementar o significado de “peregrino”, descrito pelo dicionário Aurélio: “pessoa que vai em peregrinação” com capa de chuva, se alimenta de Polenguinho e Nutella e põe em prática o lema “Ide e fazei discípulos entre todas as nações”!

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