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Assaltados pelo mundo

Por volta das 23h de uma quarta-feira qualquer, encostara a cabeça no vidro do coletivo, a observar as cores frias enquadradas em movimento, totalmente sem foco. A pista úmida causava instabilidade e receio dos freios não conseguirem parar no semáforo, localizado ao lado do hospital perto do cemitério. A indignação era reparada no brilho ofuscado dos olhos da menina, que se sentira lesada pelo mundo.

O homem, trajado de calça jeans e terno preto, entrara no ônibus com ar de fuga. Ao passar pela catraca, a cobradora desdobrara a cédula de dois reais que lhe foi entregue. "Moço, por quê você não fala que está sem dinheiro? É mais bonito do que me dar a nota toda enrolada e faltando um pedaço. Agora, vou ter que tirar do meu bolso o valor da sua passagem para fechar o caixa do dia". Ele descera do ônibus, espontaneamente, sem demonstrar arrependimento.

O homem, assaltado pelo mundo, assaltou uma moça na esquina, antes de entrar no ônibus. Logo, assaltou dois reais da cobradora que era observada pela menina assaltada pelo mundo.

Bárbara Fragoso

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